Presidente da FPF é investigado por lavagem de dinheiro – 03/03/2026 – Mônica Bergamo

Presidente da FPF é investigado por lavagem de dinheiro – 03/03/2026 – Mônica Bergamo

A menos de um mês da eleição que definirá o comando da FPF (Federação Paulista de Futebol), o presidente da entidade, Reinaldo Carneiro Bastos, tornou-se alvo de um inquérito instaurado pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e conduzido pela polícia para apurar suspeitas de gestão fraudulenta, falsidade ideológica e possível lavagem de dinheiro.

O caso tem como ponto de partida uma notícia de fato criminal encaminhada pelos promotores Beatriz Lotufo Oliveira e Júlio César Matias Soares, que identificaram o que classificam como “vultuosa evolução patrimonial desprovida de lastro” por parte do dirigente. Procurado, Reinaldo Carneiro Bastos diz que “jamais foi notificado sobre qualquer inquérito a seu respeito e desconhece tal informação”.

Segundo o documento, anexado ao pedido de investigação e obtido pela coluna, a apuração envolve infrações previstas na Lei de Crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e pode também alcançar crimes contra a ordem tributária. A FPF aparece como vítima das supostas irregularidades.

Os investigadores apontam que o patrimônio de Reinaldo e de seu núcleo familiar se expandiu de forma acelerada, com aquisição de dezenas de imóveis registrados em cartórios de diferentes cidades —a maioria em Taubaté, onde também se concentram empresas ligadas à família. As autoridades também identificaram sucessivas alterações societárias, criação de holdings e participação de parentes próximos nos quadros de administração.

Um dos pontos considerados mais sensíveis é a venda, em 2021, da participação do presidente da FPF na Milclean Serviços Ltda., empresa de limpeza e conservação. A operação foi registrada pelo valor de R$ 15,5 milhões, dos quais cerca de R$ 11,5 milhões teriam sido pagos em espécie. Para os promotores, essa forma de pagamento “configura circunstância atípica e incompatível com práticas comerciais ordinárias” e exige apuração sobre a origem dos recursos.

O inquérito foi protocolado no 23º Distrito Policial de Perdizes em 23 de janeiro e encaminhado ao Departamento de Polícia Judiciária da Capital para a fase de diligências, em que serão confrontados os dados financeiros e a evolução patrimonial atribuída ao dirigente.

A abertura do inquérito ocorre em meio ao calendário eleitoral da federação. A entidade escolherá seu novo presidente em 25 de março, e Reinaldo concorre à terceira eleição em busca do quarto e último mandato. A disparidade ocorre por ele ter assumido o comando em 2015, quando sucedeu Marco Polo Del Nero, então eleito para a CBF (Confederação Brasileira de Futebol).

com DIEGO ALEJANDRO e KARINA MATIAS

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Fonte Original do Artigo: redir.folha.com.br

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