Patagônia: Com retorno de onças, pinguins viram presas – 21/12/2025 – Ambiente

Patagônia: Com retorno de onças, pinguins viram presas – 21/12/2025 – Ambiente

Pinguins em todos os mares do sul do planeta precisam se preocupar em serem capturados por focas ou caçados por orcas. Em terra, eles encontram segurança. Mas na região da Patagônia, na Argentina, as aves marinhas não voadoras estão se tornando lanches para um predador terrestre inesperado: as onças-pardas (Puma concolor).

Nova pesquisa, publicada na revista Proceedings of the Royal Society B, oferece “uma bela mistura de movimento animal e de ‘quem come o quê’”, disse Jake Goheen, ecólogo de vida selvagem da Universidade Estadual de Iowa, que não esteve envolvido na pesquisa.

Ele observou que as onças-pardas, geralmente, preferem predar mamíferos herbívoros, não aves tão pequenas quanto os pinguins-de-magalhães (Spheniscus magellanicus).

“É um exemplo extraordinário de quão flexíveis os grandes carnívoros podem ser”, disse Goheen.

No início do século 20, a criação generalizada de ovelhas expulsou as onças-pardas da Patagônia. Com esses predadores ausentes, os pinguins-de-magalhães, que viviam principalmente em ilhas oceânicas, estabeleceram grandes colônias reprodutivas na costa da Argentina. Esforços de conservação trouxeram as onças-pardas de volta à paisagem, preparando o cenário para novas interações entre esses animais.

Mitchell Serota, ecólogo e autor principal do estudo, estava interessado em como os pinguins-de-magalhães, como uma nova fonte de alimento, estavam remodelando os padrões de movimento das onças-pardas pela região. Ele também estava curioso sobre como as onças-pardas interagiam entre si e sobre sua densidade populacional.

Para entender as mudanças comportamentais, Serota, que concluiu a pesquisa na Universidade da Califórnia em Berkeley, e alguns de seus colegas colocaram colares GPS em 14 onças-pardas no Parque Nacional Monte León. Eles coletaram informações de 2019 a 2023.

Como os pinguins são animais migratórios e estão presentes na colônia reprodutiva do parque por pouco mais da metade do ano, os cientistas rastrearam como as onças-pardas se movimentavam e interagiam ao longo das estações.

Eles descobriram que o comportamento das onças-pardas mudava conforme passavam mais tempo perto da colônia de pinguins. Onças-pardas que caçavam pinguins tinham territórios menores do que as onças-pardas que não o faziam, e os grandes felinos interagiam entre si com mais frequência ao redor da colônia.

Briana Abrahms, ecóloga de vida selvagem da Universidade de Washington que não esteve envolvida na pesquisa, já estava familiarizada com ataques das onças-pardas a pinguins. Ela havia estudado uma colônia de pinguins ao norte de Monte León e pensava que os ataques eram relativamente raros.

“O que me surpreendeu inicialmente, embora eu ache que faz todo sentido, é a quantidade de predação que está acontecendo com esses pinguins”, disse ela, “e o quanto as onças-pardas se adaptaram a essa nova fonte de alimento.”

Após integrar o rastreamento por GPS com dados de armadilhas fotográficas, os cientistas também encontraram o que pode ser a maior densidade de onças-pardas já documentada em um local específico, disse Serota.

Embora as onças-pardas sejam tipicamente criaturas solitárias, a densidade populacional deles nessa área foi aproximadamente o dobro da observada em outros lugares, levando a um aumento nas interações entre os felinos.

Serota comparou sua presença à de ursos pardos que se toleram durante a desova do salmão. “Os pinguins parecem fazer algo semelhante com as onças-pardas”, disse ele. “A comida pode reunir predadores.”

Mudanças nos ecossistemas podem afetar quando, onde e como os predadores obtêm seu alimento, levando a efeitos ecológicos mais amplos. Para as onças-pardas da região, que tipicamente se alimentam de guanacos, herbívoros semelhantes à lhama, esses efeitos ecológicos ainda são desconhecidos.

“Como onças-pardas e guanacos formam a relação predador-presa dominante na região, mudanças na forma como as onças-pardas se movem e caçam podem ter esses enormes efeitos em cascata”, disse Serota.

Pinguins indefesos, presas fáceis para as onças-pardas, podem até vir a ser parte dessa reação em cadeia. “Veremos uma situação no futuro em que os pinguins voltarão a viver principalmente em ilhas oceânicas?”, questionou Goheen.

Para Serota, o estudo mostrou que uma nova relação predador-presa, como a entre onças-pardas e pinguins, transforma o ecossistema.

“Restaurar a vida selvagem nas paisagens modificadas de hoje não simplesmente retrocede os ecossistemas ao passado”, disse Serota. “Pode criar interações inteiramente novas que remodelam o comportamento animal e as populações de maneiras realmente inesperadas.”

Uma suposição comum na literatura científica é a de que reintroduzir grandes carnívoros nos ecossistemas pode reverter um ecossistema ao que ele era antes. Mas durante o período em que os carnívoros estiveram ausentes, outras coisas também mudaram.

“Você está colocando carnívoros de volta em um ecossistema que não necessariamente se assemelha àquele do qual eles se extinguiram localmente”, disse Goheen.

Os animais encontram novas situações com as quais têm de lidar.

“Como cientistas, devemos nos sentir confortáveis com isso”, disse ele, “e não vender para o público em geral que, se restaurarmos os carnívoros, eles terão todos esses outros tipos de benefícios em reação em cadeia para o resto do ecossistema.”

“Devemos restaurar os carnívoros porque eles merecem estar lá e porque fomos nós que os erradicamos em primeiro lugar”, acrescentou.

Fonte Original do Artigo: redir.folha.com.br

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