Números do Censo Escolar exigem esclarecimento – 03/03/2026 – Educação
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- 03/03/2026
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Na última quinta-feira (26), foram divulgados os dados do Censo Escolar 2025. Trata-se de uma divulgação relevante que apresenta um panorama das matrículas e das funções docentes no país.
No caso das matrículas, embora os dados devam ser analisados com cautela por não constituírem indicadores diretos de atendimento escolar, eles permitem observar a movimentação dos estudantes, especialmente em um contexto em que as informações sobre evasão escolar são divulgadas com grande defasagem em razão dos processos de consolidação e verificação adotados pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira). Em relação aos resultados, a queda de matrículas, especialmente no ensino médio, causou estranhamento.
É importante ressaltar que variações no número de matrículas são naturais, decorrentes de mudanças demográficas e do fluxo escolar. Esses fatores, inclusive, foram mencionados pelo Inep como justificativa para a redução observada. No entanto, a magnitude da queda não parece estar relacionada apenas a esses aspectos. Uma redução superior a 400 mil matrículas —mais de 5%— é altamente incomum de um ano para o outro.
Dois indicadores também divulgados pelo instituto ajudam a avaliar se a queda pode ser explicada apenas por fatores demográficos e por melhorias no fluxo escolar: o número de matrículas da população que deveria estar na escola (15 a 17 anos) e o número de matrículas acompanhando uma mesma geração. Por exemplo: comparar os estudantes que estavam no 2º ano do ensino médio em 2024 com aqueles que aparecem no 3º ano em 2025.
A análise desses dados revela que, mesmo considerando apenas a população de 15 a 17 anos e comparando as matrículas do 2º com o 3º ano, há uma queda relevante no número de matrículas. Esses são indícios de uma perda importante de estudantes ao longo da trajetória escolar, que seriam resultantes da combinação de não aprovação e evasão.
A Secretaria Estadual de Educação de São Paulo —rede com a maior queda de matrículas reportada pelo Censo Escolar, superior a 200 mil— indicou, segundo reportagem da Folha assinada por Isabela Palhares e Paulo Saldaña, que houve mudança na contabilização dos alunos: “Até 2024, os dados contabilizavam múltiplas matrículas para um mesmo aluno se ele estivesse vinculado a mais de uma modalidade ou itinerário. A partir de 2025, houve adequação na gestão dos dados para que fosse contabilizada, com precisão, uma matrícula por aluno”.
Caso essa alegação proceda, há uma situação grave que precisa de esclarecimento público: o Inep reportou mais de 200 mil matrículas duplicadas em 2024? O instituto foi notificado pela Secretaria de Educação de São Paulo e não deu visibilidade pública à questão? O problema ocorreu também em outros estados?
Há uma névoa sobre os números do ensino médio no Censo Escolar —e ela precisa ser dissipada com urgência. O Censo é um dos instrumentos mais sólidos e importantes para o monitoramento do direito à educação no país e sua credibilidade depende de transparência e análise cuidadosa dos dados coletados.





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