Instituto de ex-BC atua para melhorar alfabetização – 13/01/2026 – Educação
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- 13/01/2026
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É possível transformar a educação básica brasileira atuando ombro a ombro com professores e gestores. É nisso que aposta Luiz Fernando Figueiredo, ex-diretor de política monetária do Banco Central e presidente do Instituto Fefig, organização sem fins lucrativos criada para repensar como políticas educacionais são aplicadas no cotidiano das escolas.
A entidade foi fundada por Luiz Fernando em 2018, após a morte de seu filho, Luiz Felipe, como uma homenagem. Desde então, atua para enfrentar um dos principais problemas do ensino público no país: a alfabetização na idade certa. O instituto sustenta que mudanças no sistema educacional passam pelo contato direto com os profissionais da educação — abordagem que, segundo seus dirigentes, facilita a implementação de estratégias no território escolar.
“É no olhar que a gente percebe a vontade e passa confiança para as pessoas”, afirma Bartholomeu Silva, superintendente executivo do Fefig.
Por meio de um programa intitulado Gestão da Alfabetização, a organização apoia secretarias municipais de educação. O foco está em melhorar a gestão educacional e escolar para garantir que todas as crianças saibam ler e escrever até o final do 2º ano do ensino fundamental.
A política adotada pela entidade se estrutura em três frentes principais: formação continuada de profissionais; comitês e reuniões formativas com coordenadores, diretores e professores, voltadas à compreensão do processo de alfabetização e ao acompanhamento das metas; e a disponibilização de uma plataforma gratuita que apresenta mensalmente o número de alunos alfabetizados e não alfabetizados.
Com base nesses dados, as redes conseguem planejar intervenções mais adequadas e enfrentar dificuldades específicas do processo de alfabetização. Atualmente, o programa é implementado em seis estados e 69 municípios.
O trabalho inclui também acompanhamento constante, inclusive em regiões mais afastadas do país. Técnicos do instituto visitam escolas e prefeituras para monitorar o progresso dos estudantes e, quando necessário, cobrar resultados.
A Folha acompanhou visitas à região da Serra da Capivara, no Piauí. Ali, são atendidos dez municípios: Caracol, Dirceu Arcoverde, Bonfim do Piauí, Fartura do Piauí, Ribeira do Piauí, São Braz do Piauí, São Lourenço do Piauí, Dom Inocêncio, Tamboril do Piauí e Várzea Branca, com impacto sobre cerca de 4.000 crianças de 6 a 12 anos.
As realidades são distintas, tanto do ponto de vista estrutural quanto em relação ao engajamento dos agentes públicos e educadores. Contudo, os indicadores têm mostrado o êxito da política.
Em 2024, o Piauí registrou média de 59,8% de crianças alfabetizadas na idade certa, conforme dados do governo federal. Isolando os municípios parceiros do Fefig, o índice chegou a 65,8%, seis pontos percentuais acima da média estadual e também da meta estabelecida pelo MEC (Ministério da Educação) para aquele ano.
“Você olha para esses resultados e fica esperançosa, querendo mais, com a certeza de que existe um caminho para melhorar a educação no país”, diz Andrea Lopes Figueiredo, vice-presidente do instituto.
Alfabetização no Brasil
Segundo o indicador Criança Alfabetizada, do governo federal, o Brasil registrou em 2024 um percentual de 59,2% de crianças alfabetizadas, abaixo da meta de 60% estipulada pelo MEC para a rede pública.
De acordo com o ministro da Educação, Camilo Santana, as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024 impactaram negativamente os dados educacionais. No estado, o índice caiu de 63,4% em 2023 para 44,7% no ano seguinte.
O pior desempenho em 2024 foi o da Bahia, com 36% de crianças alfabetizadas — resultado que representa queda de 0,8 ponto percentual em relação a 2023.
Estados e municípios com desempenho abaixo do esperado passaram a integrar um método de priorização do MEC, voltado à identificação de problemas e à reversão dos indicadores.
A reportagem viajou a convite do Instituto Fefig.




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