Gilmar manda PF investigar ação sob crise política em PE – 02/02/2026 – Política

Gilmar manda PF investigar ação sob crise política em PE – 02/02/2026 – Política

O ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou que a Polícia Federal apure um suposto monitoramento indevido de agentes públicos municipais do Recife pela estrutura de inteligência da Polícia Civil de Pernambuco.

A medida foi tomada na sexta-feira (30), após uma reportagem da TV Record mostrar que o secretário municipal de Articulação Política e Social, Gustavo Queiroz Monteiro, foi seguido por policiais civis de agosto a outubro de 2025.

Os agentes acompanhavam o carro utilizado por ele e pelo irmão dele, Eduardo, e trocavam mensagens em um grupo. Em setembro, houve a instalação de um rastreador no veículo, sem ordem judicial.

A acusação de espionagem se tornou mais um capítulo nos atritos entre o prefeito João Campos (PSB) e a governadora Raquel Lyra (PSD). Eles devem se enfrentar nas eleições deste ano.

O processo corre em sigilo, mas o gabinete de Gilmar divulgou informações sobre a decisão em nota enviada à imprensa. De acordo com o informe, a investigação deverá verificar se houve infração penal federal ou eleitoral cuja apuração compete à instituição.

Ainda segundo o gabinete, neste momento, não se busca apurar responsabilidade direta de altas autoridades do Executivo estadual por autoria ou omissão.

O relator destacou, no entanto, que os fatos relatados são graves e podem colocar em risco preceitos fundamentais, como a inviolabilidade da intimidade, a legalidade e a impessoalidade.

O ministro também determinou, na mesma decisão, o trancamento de uma investigação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) do Ministério Público de Pernambuco contra os agentes municipais.

Segundo o gabinete do ministro, o caso foi apresentado ao STF por três ocupantes de cargos públicos da Prefeitura do Recife, que alegaram serem alvo de medidas investigativas de forma desproporcional e genérica.

Gilmar considerou que havia desvio de finalidade no procedimento do MP que, segundo os servidores, gerou medidas como quebras de sigilo fiscal e intimações para depor como investigados, sem a individualização de condutas.

A apuração envolvia supostas irregularidades em duas atas de registro de preços elaboradas por consórcios intermunicipais.

Também foi juntada aos autos a notícia de suposta operação clandestina de vigilância política conduzida pela Polícia Civil de Pernambuco, com uso indevido de tecnologia de rastreamento e reconhecimento facial para monitorar integrantes do primeiro escalão da prefeitura.

De acordo com o seu gabinete, ao avaliar o caso, Gilmar reconheceu a existência de elementos que indicam desvirtuamento do procedimento investigativo do Gaeco.

Ele apontou, por exemplo, que as intimações para colher depoimentos foram expedidas sem a individualização das condutas atribuídas a cada servidor e não foram acompanhadas de decisões judiciais.

“Para o ministro, ao solicitar de forma simultânea e padronizada informações patrimoniais sensíveis de mais de vinte secretários municipais, sem especificar condutas ou elementos indiciários que justificassem a medida, o Ministério Público incorreu em pesca probatória”, informou o gabinete.

O prefeito João Campos classificou o episódio como perseguição.

“Eu queria dizer a vocês que tudo isso não vai ficar impune. Porque não vale tudo pra disputar uma eleição. Não vale tudo dentro de uma instituição tão séria como a Polícia Civil com mais de 200 anos. Vou tomar todas as medidas cabíveis na Justiça”, disse.

Ele também afirmou ser alvo de uma “grande rede de ódio” e de investigações com motivação política desde 2024, citando que uma apuração sobre creches arquivada pela polícia foi reaberta em período eleitoral e depois novamente arquivada após sua reeleição naquele ano.

Já Raquel Lyra defendeu o trabalho da Polícia Civil e disse que o papel de investigação foi cumprido “dentro da legalidade”. Afirmou ainda que a denúncia recebida era grave e que “ninguém está acima da lei”. “A gente precisa, claro, sempre combater a corrupção.”

Fonte Original do Artigo: redir.folha.com.br

Postagens Relacionadas

Prefeitura de Cipó (BA) lança seletivo com mais de 300 vagas

Prefeitura de Cipó (BA) lança seletivo com mais de…

Dois novos editais foram divulgados, referentes ao processo seletivo da Prefeitura de Cipó, cidade localizada no estado da Bahia. Ao todo,…
CIEE E MetrôRio Abrem 2.795 Vagas De Estágio E Jovem Aprendiz No Mutirão Do Maracanã

CIEE E MetrôRio Abrem 2.795 Vagas De Estágio E…

Resumo da Notícia: O CIEE Rio realiza nesta quarta e quinta-feira (dias 4 e 5) um grande mutirão de empregos na…
Aliado de Vorcaro, Sicário tem suspeita de morte cerebral 

Aliado de Vorcaro, Sicário tem suspeita de morte cerebral 

O investigado Luiz Phillipi Mourão, conhecido como Sicário, preso na terceira fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF), está…