Foz do Amazonas:ANP impõe condições para perfuração – 09/01/2026 – Ambiente
- Ciência e Tecnologia
- 10/01/2026
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A ANP (Agência Nacional do Petróleo) condicionou a retomada da atividade de perfuração na bacia da Foz do Amazonas, pela Petrobras, à prestação de esclarecimentos sobre o que causou o vazamento de fluido sintético nas águas da região, considerada ambientalmente sensível, segundo documentos vistos pela Reuters e uma fonte a par da situação.
A decisão da agência reguladora, assinada em reunião na última quarta-feira (7), afirma que, antes de retomar as operações, a petroleira precisa apresentar uma avaliação inicial das causas do evento e de seus potenciais impactos e ações mitigadoras.
“A unidade (sonda de perfuração) ODN II (NS-42) somente poderá retomar a atividade de perfuração após autorização expressa da ANP”, diz o documento.
No encontro com o órgão regulador, a Petrobras afirmou que ainda não sabe o que causou o incidente, segundo documento. O arquivo mostra, ainda, que o vazamento foi maior do que o inicialmente informado, em um volume de pouco mais de 18 mil litros, em vez de cerca de 15 mil.
Procurada, a Petrobras não respondeu a um pedido de comentários, mas já havia informado anteriormente que o vazamento foi contido e que o fluido é biodegradável. Segundo a estatal, o produto não oferece risco ao meio ambiente ou às pessoas.
Antes da reunião com a ANP, a Petrobras avaliava que a campanha exploratória em águas profundas do Amapá poderia ser retomada em até 20 dias, conforme fontes próximas da empresa.
O vazamento gerou protestos de ativistas e organizações indígenas locais. Desde o início das tentativas de licenciamento para petroleiras atuarem no local, ambientalistas alertam sobre o impacto potencial que a exploração de petróleo pode ter nos ecossistemas marinhos e costeiros da região.
A perda de fluido foi identificada no último domingo (4) em duas linhas auxiliares que conectam a sonda de perfuração ao poço Morpho, localizado a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá. O problema paralisou as atividades.
À reportagem, a ANP confirmou que estabelecerá condicionantes para que a Petrobras retome a perfuração somente após constatadas as causas imediatas do incidente, bem como tomadas as devidas ações para sua mitigação.
A reguladora também afirmou que foi comunicada do fato pela Petrobras dentro de prazo estabelecido em normas, que neste caso seria de até quatro horas.
Mencionou ainda que a petroleira informou sobre uma falha na conexão do riser (tubo que conecta a sonda ao poço). “A Petrobras informou que isolou as linhas que ocasionaram o vazamento de fluido de perfuração e está recolhendo o riser para corrigir a falha”, disse a agência.
A estatal passou anos tentando obter licença para perfurar a Foz do Amazonas, considerada com grande potencial para abrir uma nova fronteira exploratória. A região compartilha a mesma geologia da vizinha Guiana, onde a ExxonMobil está desenvolvendo grandes campos de petróleo.
A ANP planeja inspecionar a sonda de perfuração em fevereiro, segundo uma fonte próxima ao assunto, acrescentando que a perfuração pode ser retomada antes disso.
Ao iniciar a perfuração em outubro, a Petrobras estimou que as atividades deveriam durar por cerca de cinco meses.




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