Educação técnica cresce com oferta de itinerário no médio – 26/02/2026 – Educação
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- 28/02/2026
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As matrículas de educação profissional no ensino médio tiveram um salto em 2025, sobretudo por causa da oferta de itinerários formativos dessa modalidade dentro da carga horária dos alunos. A alta geral foi de 24%, incluindo alunos de escolas públicas e privadas.
Os dados fazem parte do Censo Escolar de 2025, divulgado nesta quinta-feira (26) pelo MEC (Ministério da Educação). O levantamento, com um panorama da educação brasileira, é de responsabilidade do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), ligado ao ministério.
A reforma do ensino médio, cujas regras de flexibilização do currículo foram criadas em 2017 e alteradas em 2024, prevê a oferta de cinco itinerários formativos: linguagens, ciências humanas, ciências da natureza, matemática e ensino técnico profissionalizante. A previsão é que os alunos escolham qual itinerário seguir, além de cursarem uma parte de matérias comum a todos.
O Censo Escolar de 2025 registra 3.187.976 alunos de educação profissional —eram 2.576.293 em 2024. Do total do ano passado, 2.188.893 alunos de educação profissional estão em escolas públicas.
A maior parte das matrículas dessa modalidade está vinculada ao “Ensino médio articulado ao itinerário formativo técnico profissional – curso técnico”, com 1,2 milhão de matrículas. Essa é uma nova classificação incluída na edição de 2025 do Censo.
Do total de matrículas do ensino médio regular em escolas públicas, 20% estão em estão em cursos técnicos articulados. O estado com maior proporção é o Piauí (68%), segundo dados divulgados na entrevista coletiva do MEC, na manhã desta quinta.
Em 2024, as matrículas discriminadas como “ensino técnico integrado ao médio” somavam 985 mil em todo país.
De acordo com o MEC, as redes de ensino e escolas foram orientadas a informar as turmas do ensino médio integrado como “Ensino médio articulado ao itinerário formativo técnico profissional – Curso Técnico”.
Apesar disso, a pasta diz que pode haver casos de alunos vinculados a uma escola na formação básica geral (parte comum do currículo) e a outra unidade diferente no itinerário técnico —fazendo com que haja duplicação de registros, por exemplo.
Os dados de 2025 trazem detalhes sobre o tipo de curso feito pelos alunos nos itinerários técnicos articulados ao ensino médio. Pouco mais da metade das 1,2 milhão de matrículas desse tipo está em cinco cursos: administração (22% sobre o total), informática (10%), desenvolvimento de sistemas (9%), agropecuária (6%) e logística (4%).
São descritos 195 cursos. Em 43 deles não há registro de matrículas.
A ampliação da formação técnica e profissional é apontada como positiva por especialistas —a proporção de estudantes nesse tipo de formação é alta em vários países desenvolvidos. A indução à entrada no mercado profissional e o interesse dos jovens são alguns dos motivos para essa aposta.
Há pesquisas que mostram que egressos de cursos técnicos (exclusivos, não no modelo de itinerário) têm bons ganhos salariais e penetração positiva no mercado de trabalho.
No entanto, a ampliação resultante da reforma do ensino médio, no formato de itinerários, ainda inspira dúvidas com relação à qualidade. Em muitas redes, os cursos técnicos têm sido oferecidos dentro das próprias escolas regulares, sem que elas tenham recebido investimentos ou reformas para oferecer laboratórios ou outros espaços necessários para o aprendizado proposto.
Os tipos de cursos técnicos disponíveis também fazem a diferença. A oferta dos itinerários de nível técnico pode ocorrer em parceria com instituições privadas. Segundo o Censo Escolar, 999 mil estudantes de educação profissional estão em instituições de ensino privadas conveniadas com o poder público.
Andressa Pellanda, coordenadora da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, ressalta que, a despeito do investimento bilionário para ampliar a oferta de itinerários profissionais, a expansão não vem acompanhada de preocupação com a qualidade do ensino.
“Os itinerários profissionalizantes não garantem estrutura para formação profissional de qualidade, por conta de cursos aligeirados, sob parcerias público privadas com rasa regulação e monitoramento, da permissão de notório saber, a falta de investimentos mais massivos em infraestrutura, o que prepara mais para um subemprego que para o trabalho decente e que possa gerar mudança social”, diz.
Para ela, a priorização dos itinerários formativos desconsiderou um modelo robusto e bem-sucedido de educação profissional e tecnológica que é ofertado em institutos federais (como os IFs) e instituições estaduais. “A quantidade vem abraçada na falta de qualidade, apontando um retrocesso disfarçado de avanço.”
As matrículas de ensino técnico concomitante (não integrado à carga do ensino médio regular) eram de 993 mil em 2024 e passaram no ano passado para 832 mil. Já o ensino técnico subsequente (realizado após a conclusão do ensino médio) também registrou queda, passando de 598 mil para 520 mil no mesmo período.
Com a reforma do ensino médio, a etapa ficou dividida em dois blocos: a parte comum e os itinerários formativos. A alteração aprovada pelo governo Lula (PT) em 2024 ampliou a carga da parte comum, com relação ao que havia sido definido no governo de Michel Temer (MDB).
Foi ampliado para 2.400 horas a parte comum (de uma carga total de 3.000 horas). O texto deixou uma exceção: para estudantes da educação técnica profissional, essa base geral pode ser menor, de 2.100 horas (prevendo que 300 horas desse montante deve aliar a formação geral e o ensino técnico).





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