Autor de grandes novelas, Manoel Carlos morre aos 92 anos
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- 10/01/2026
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O autor, diretor, produtor e escritor Manoel Carlos, morreu neste sábado, 10, aos 92 anos, no Rio de Janeiro. A informação sobre a morte foi comunicada pelo perfil Boa Palavra, no Instagram. A causa da morte não foi divulgada.
“É com profundo pesar que comunicamos o falecimento de Manoel Carlos Gonçalves de Almeida, carinhosamente conhecido como Maneco, ocorrido hoje, aos 92 anos”, dizia o post.
Eles também informaram que o velório será restrito aos familiares e amigos próximos. “O velório será fechado e restrito à família e amigos íntimos. A família agradece as manifestações de carinho e solicita respeito e privacidade neste momento delicado”, completaram.
Segundo o portal G1, Maneco estava internado no Hospital Copa Star, em Copacabana, onde fazia tratamento contra a Doença de Parkinson, que afetou o desenvolvimento motor e cognitivo no último ano.
Confira:
Manoel Carlos nasceu em 1933, em São Paulo, mas sempre se considerou carioca de coração. Apesar do sucesso como autor, iniciou a carreira como ator. Aos 17 anos, ele atuou no Grande Teatro Tupi, um programa de teleteatro da TV Tupi. No ano seguinte, foi premiado como ator revelação e estreou como produtor e diretor.
Em 1952, passou a escrever programas para a TV. Ao longo dos anos, construiu uma trajetória sólida por diversas emissoras, atuando na fase inaugural da TV Record, na TV Itacolomi, em Belo Horizonte, e também no Jornal do Commercio, em Recife. Já na TV Tupi, no Rio de Janeiro, destacou-se ao adaptar mais de 100 teleteatros.
Na década de 1960, integrou as últimas produções da TV Excelsior. Em seguida, na TV Rio, participou de diferentes projetos, entre eles o programa Chico Anysio Show, no qual dividiu a redação com Ziraldo e Mário Tupinambá. Ainda na emissora, dirigiu O Homem e o Riso, também estrelado por Chico Anysio.
Sua passagem pela TV Record incluiu a criação e produção de atrações marcantes da televisão brasileira, como Hebe Camargo, O Fino da Bossa, Bossaudade, Esta Noite se Improvisa, Alianças para o Sucesso, Para Ver a Banda Passar e Família Trapo.
Trajetória na TV Globo
Maneco estreou na TV Globo em 1972 como diretor-geral do Fantástico, cargo que ocupou por três anos. Em 1978, escreveu sua primeira novela na emissora, Maria, Maria, adaptação do romance Maria Dusá, de Lindolfo Rocha. No mesmo ano, assinou a adaptação de A Sucessora, obra de Carolina Nabuco, estrelada por nomes como Susana Vieira, Rubens de Falco e Arlete Salles.
Inspirado pelo sucesso das radionovelas, o autor consolidou seu estilo próprio na dramaturgia televisiva. Em 1980, além de escrever episódios do seriado Malu Mulher, protagonizado por Regina Duarte, foi convidado por Gilberto Braga para dividir a autoria da novela Água Viva, que contou com um elenco de peso, incluindo Reginaldo Faria, Raul Cortez, Betty Faria, Tônia Carrero e Glória Pires.
Além das novelas que marcaram gerações, Manoel Carlos também deixou sua assinatura em minisséries de grande repercussão, como Presença de Anita (2001) e Maysa – Quando Fala o Coração (2009).
As Helenas de Manoel Carlos
As “Helenas” se tornaram a maior assinatura de Manoel Carlos na teledramaturgia brasileira. A primeira delas surgiu em 1981, na novela Baila Comigo, interpretada por Lílian Lemmertz. A partir dali, o autor passou a construir um retrato recorrente da mulher brasileira: mães intensas, complexas e profundamente ligadas aos filhos.
Segundo o próprio Maneco, a escolha do nome veio de sua admiração pela mitologia grega. Helena simbolizava, para ele, a mulher forte, guerreira e capaz de qualquer sacrifício em nome do amor. Suas personagens eram abnegadas, mas também vaidosas, contraditórias e humanas, capazes de mentir ou esconder verdades para proteger quem amavam.
“Elas são aquelas mães abnegadas e, ao mesmo tempo, não se esquecem delas mesmas. São vaidosas, são justas e injustas na medida certa, né? Elas são mentirosas, elas escamoteiam a verdade em benefício de um filho, por exemplo. Elas defendem um filho até a injustiça. É muito difícil alguém escapar, uma mulher escapar da sua semelhança com a própria mãe”, explicou o autor em entrevista ao Fantástico, em 2014.
A segunda Helena apareceu em Felicidade (1991), vivida por Maitê Proença. Em História de Amor (1995), Regina Duarte assumiu o papel de uma mulher dividida por um triângulo amoroso, numa trama que o autor afirmou ter escrito especialmente para ela e Carolina Ferraz. Três anos depois, a atriz voltou a interpretar Helena em Por Amor (1997), protagonizando uma das histórias mais emblemáticas da teledramaturgia ao trocar seu bebê recém-nascido pelo da filha.
O tema do sacrifício materno retornou com força em Laços de Família (2000), quando Vera Fischer viveu uma Helena que decide engravidar novamente para salvar a filha doente. A novela marcou época com a cena em que Camila, personagem de Carolina Dieckmmann, raspa o cabelo, papel escrito especialmente para a atriz, e rendeu ao autor diversos prêmios.
Em Mulheres Apaixonadas (2003), Christiane Torloni deu vida a uma Helena que simbolizava a força feminina diante dos conflitos afetivos e sociais. Já em Páginas da Vida (2006), Regina Duarte viveu sua terceira Helena, agora uma médica, reforçando a maturidade emocional das personagens do autor.
Em Viver a Vida (2009), Manoel Carlos escalou Taís Araújo como sua primeira Helena negra, uma modelo internacional que abre mão da carreira ao se casar e passa a enfrentar desafios familiares profundos. Por fim, a última Helena foi interpretada por Julia Lemmertz, filha de Lílian Lemmertz, em Em Família (2014), fechando de forma simbólica o ciclo das personagens que definiram sua obra.
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